Prioridades

A vida é como uma cebola. Cebola? Que comparação mais esdrúxula! Calma, eu explico. Só quero dizer que nossa existência está fundamentada em camadas – muitas camadas. E, como tudo que vem em excesso, é difícil administrá-las de forma eficiente. É preciso saber discernir o que é fundamental e quando. Isso é tão complicado... Existe o medo de separar as coisas equivocadamente, de inverter as ordens, de selecionar os tópicos menos relevantes... É tanta coisa! Inúmeras vezes tentamos fazê-lo, mas simplesmente não sabemos como nem por onde começar! Temos a consciência - pelo menos alguns têm – de que parece injusto classificar nossas “pastas” por importância, por data, por conteúdo!
Família, amigos, estudo, trabalho, sociedade... Quem deve em primeiro lugar? E em segundo? E quando? E... E... Ah! Sei lá! O negócio afeta tanto que acaba nos obrigando a levar do jeito que está, pois tentar mudar só aparenta piorar tudo. No entanto, chega um determinado momento em que não podemos mais empurrar o lixo para debaixo do tapete: é preciso apanhá-lo carinhosamente e separá-lo em papel, plástico, metal, vidro e orgânico. Porém, quem é o mais importante deles? Aí paramos e pensamos: “E agora, José? LASCOU!” Como saber? Não adianta pedir ajuda, ninguém pode nos dizer como guiar nossas vidas.
O pior em decidir que rumo tomar é, definitivamente, o arrependimento de tê-lo feito e agora tudo estar errado. Eu odeio me arrepender das minhas escolhas, no entanto, de vez em quando isso acontece, invariavelmente. É tão chato... Dá uma sensação de derrota, de incompetência. Mesmo assim, prefiro o malefício da certeza ao benefício da dúvida. Uma palavra que, se pudesse, cortaria do meu dicionário é a tal da “se”! Pense numa coisinha para me atrapalhar. Gosto de tomar a frente de tudo, de controlar as rédeas da minha biografia. Quero passar pela vida, e não que ela passe por mim! Se fosse assim, preferiria nem ter vindo ao mundo! Nada mais decepcionante do que saber que alguém está dando as ordens por você em sua empresa... É um sinal claro de fraqueza, de medo. Erre, mas faça! Afinal, a forma mais eficiente-não a mais fácil- de aprender é errando. Digo por conhecimento de causa! E, por mais sofrimento que minhas preferências tenham me causado, elas só serviram para que eu amadurecesse e pudesse evoluir, tornando-me uma pessoa melhor. E não é exatamente esse o nosso objetivo?
Escrito por às 18h21
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